O Presidente da Associação BioTec-Amazônia, Professor Doutor José Seixas Lourenço, participou do início das celebrações dos 30 anos do Bosque da Ciência, espaço de visitação pública do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), em Manaus (AM). A cerimônia foi realizada na terça-feira, 1° de abril de 2025, com a presença da comunidade do Inpa, autoridades e pessoas que fizeram parte da fundação e consolidação do Bosque, o primeiro parque verde urbano de Manaus.
O diretor do Inpa, o professor Henrique Pereira, destacou que a celebração é compartilhada com a comunidade local, ex-participantes do Projeto Pequenos Guias do Bosque da Ciência, pesquisadores, servidores, parceiros e figuras essenciais para sua criação.
José Seixas Lourenço, ex-diretor do Inpa, e o pesquisador Juan Revilla, primeiro diretor do Bosque e idealizador do projeto, foram homenageados na solenidade.

Na cerimônia oficial, foram homenageadas 38 pessoas com placas e menções honrosas, das quais 27 puderam estar presentes. Além de Lourenço e Revilla, foram agraciados pesquisadores, técnicos e outros servidores que foram essenciais para tornar o Bosque da Ciência um parque que abriu as portas do Inpa para a sociedade e é um marco da educação e popularização científica em Manaus. Seixas Lourenço destacou que a experiência do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), unidade de pesquisa do MCTI em Belém (PA), serviu como modelo para promover a abertura do Inpa para a comunidade, uma instituição reconhecida pela excelência em pesquisa e pela recepção de cientistas de diversas partes do mundo. No entanto, na época, não havia uma preocupação efetiva em estabelecer uma relação mais próxima com o público.
“Abrir as portas das instituições de pesquisa para a população é essencial para formar jovens conscientes. O futuro da Amazônia depende dessa juventude, e se eles tiverem desde cedo uma educação ambiental sólida, poderão transformar a realidade da região. Com conhecimento, podemos construir com nossas próprias mãos um futuro próspero para a Amazônia”, pontuou Seixas.
De 1992 a 1995, o Dr. José Seixas Lourenço foi o diretor do INPA, assumindo a direção poucos meses antes da Rio-92, quando a atenção mundial se voltou para a conservação da Amazônia. Lourenço lembra que, com o Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG7), o INPA passou a ter papel estratégico para promover o desenvolvimento sustentável na região. Outra ação de destaque na gestão dele foi a abertura do Instituto à sociedade, inicialmente com a Casa da Ciência e depois com o Bosque da Ciência, em 1995.
“A ideia era criar um grande museu a céu aberto. Nada de zoológico ou algo muito parecido com o que já existia em Manaus. Então, veio a ideia de estabelecer um grande projeto de difusão científica para o instituto”, disse.
Fundado em 1º de abril de 1995, o espaço surgiu com a missão de ser uma área de visitação e de divulgação da pesquisa científica realizada pelos laboratórios do Inpa. Antes de sua criação, as únicas áreas de contato com a natureza na cidade eram o Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), o zoológico da cidade, e o Parque Municipal do Mindu, que ainda existia apenas no papel, por meio de decreto.

Revilla é um dos principais fundadores do Bosque e relembra que na gestão do diretor Herbert Schubart, em 1986, surgiu a proposta de transformar a área em um Jardim Botânico. No entanto, na época não existia uma força de trabalho exclusiva para formação do Jardim Botânico, e a comunidade do Inpa se dedicava ao projeto quando possível, entre uma viagem de campo e outra. O projeto do Jardim Botânico, então, foi apresentado ao pesquisador José Seixas Lourenço, que assumiu o Inpa como diretor, vindo do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém (PA).

Juntamente com Juan Revilla, o diretor abraçou o projeto e desenvolveu um trabalho em parceria com a prefeitura de Manaus e a Secretaria de Educação do Estado, já que o Bosque dividia espaço com a Escola Estadual Djalma Batista, localizada na Avenida General Rodrigo Otávio.
O Bosque hoje recebe cerca de 120 mil visitantes ao ano, com público de escolas, moradores, visitantes nacionais e estrangeiros e contribui há 30 anos com a popularização e disseminação da ciência e inovação na Amazônia.