O uso sustentável da biodiversidade na Amazônia
Maquete da BioTec-Amazônia apresenta Sistema Agroflorestal (SAF)

A ideia é utilizar esse modelo em feiras e eventos e realizar orientação técnica para produtores florestais.

A Organização Social BioTec-Amazônia disponibiliza de uma maquete onde apresenta um sistema produtivo agrícola que aproveita o potencial natural da Amazônia. Neste sistema, apresentado em um modelo tridimensional e que cria uma interação única entre quem visualiza e o objeto observado, as árvores de grande porte são consorciadas com outras culturas agrícolas, como o plantio de açaí. A maquete é uma cópia, em escala reduzida, do sistema agroflorestal para dar a possibilidade de vislumbrar essa solução de forma pedagógica.

Lauro Itó, engenheiro agrônomo com doutorado no Japão, é professor da Universidade Federal Rural da Amazônia e o responsável pela idealização da maquete. Itó explica que, de um modo geral, esse é um sistema produtivo que tem um aspecto muito importante que é a exploração da floresta em pé. “Simplificando a ideia é plantar um bosque de forma racional”, definiu. A maquete foi pensada de forma que representa 3 espécies frutíferas, sendo que no primeiro estrato, árvores de grande porte como a Castanha do Pará (Bertholletia excelsa) são plantadas em espaçamentos adequados ao seu desenvolvimento vegetativo (neste caso o espaçamento usado é de 15 m x 15 m), cujo porte pode atingir 30 metros de altura e 4 metros de diâmetro, podendo levar em torno de 8 anos para começar a produzir.

Além da grande área foliar que a castanheira propicia, seus frutos que possuem alto teor calórico e proteico, bem como o selênio, podem entrar na cadeia comercial do SAF. “Na parte inferior das castanheiras, considerado como um sub-bosque, estão dispostas as outras culturas, aí está o detalhe que interesse ao público de um modo geral que venha a ter acesso a maquete, é visualizar o plantio açaí (Euterpe oleracea) nas entrelinhas das castanheiras, dessa forma aproveitando a área disponível e propiciando uma renda mais rápida aos agricultores, uma vez que o açaí pode ser colhido com aproximadamente 4 anos. Neste arranjo o açaí está plantado em linhas duplas com o espaçamento de 3 m x 3 m e idealizado para uso de sistema de irrigação, descrito abaixo, e desbastes das touceiras para potencializar a produtividade”, explicou Itó.

A terceira cultura frutífera simbolizada pela maquete, ao lado das linhas de açaí, está o cacau (Theobroma cacao) que também usa plantio em linhas duplas com o espaçamento de 3 m x 3 m. “Podemos afirmar que estas três culturas estão perfeitamente harmonizadas nos seus ambientes de cultivo e na cronologia de frutificação”. Acoplado a esse sistema de bosque implantado, “nós estamos representando também uma área de piscicultura – que é o cultivo de peixes. Essa água do sistema de cultivo, nutricionalmente mais rica, você pode pegar para fazer a irrigação dentro do sistema do SAF, ou seja, por exemplo, no açaizal que tem uma necessidade hídrica maior que as demais culturas. Essa técnica é o que a gente chama de fertirrigação”.

A idealização deste sistema produtivo tem peculiaridades positivas para a Amazônia, pois repõem nutrientes ao solo com a matéria orgânica das folhas, o ciclo produtivo é constante, longevo e rentável, além da introdução de proteína animal com a piscicultura, dessa forma possibilitando a manutenção do homem no campo com dignidade.

Professor Lauro explica que para chegar ao produtor esse sistema, em áreas degradadas e muito comuns na nossa região, é possível a partir da ajuda do grupo técnico da Organização Social BioTec-Amazônia, bem como com os parceiros institucionais, entre eles universidades locais, centro de pesquisas, empresas de assistência técnica, secretárias, etc. “Nós temos a possibilidade de incentivar os produtores, de mostrar o caminho, dar esse apoio que eles precisam. O fato é que o arranjo produtivo pode variar bastante, e neste caso a orientação técnica se torna essencial. Se a região não for propícia ao açaí, por conta da razão do microclima e solo, a gente substitui por outras culturas”.

Silvia Leão

Comunicação BioTec-Amazônia. E-mail: silviadesouzaleao@biotecamazonia.com.br. Telefone: (91) 99271-5573. Endereço: Espaço Empreendedor, localizado no Parque de Ciência e Tecnologia Guamá – PCT Guamá, 3ºandar, salas 401 a 404.

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